Se você está voltando da licença maternidade e quer continuar amamentando seu bebê, eu imagino que seu coração deva estar pequenininho.
Manter a amamentação depois que a gente volta a trabalhar é um desafio: físico, emocional e logístico. E quando chega a informação de que a lei só garante tempo para ordenha até os 6 meses do bebê, muitas mulheres se sentem pressionadas a parar antes da hora.
Mas eu quero te contar que a história não precisa acabar aí. Vou te explicar o que a legislação realmente diz e compartilhar 3 estratégias que eu mesma usei (e recomendo) para conversar com a liderança e continuar ordenhando por mais tempo.
O que a lei diz sobre ordenha no trabalho?
De forma bem direta: a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), no artigo 396, garante que nós, mães lactantes, temos direito a dois intervalos de 30 minutos por dia, durante o expediente, para amamentar ou realizar a ordenha, até que o bebê complete 6 meses.
Ou seja:
- É um direito legal, federal.
- Válido até os 6 meses do bebê.
- São dois momentos de 30 minutos além do horário de almoço.
Ah, e tem mais: se o pediatra recomendar a continuação da amamentação por motivos de saúde, esse direito pode ser estendido com atestado médico, por mais 15 dias. Então se essa for a sua situação, converse com sua médica de confiança.
E depois dos 6 meses? Posso continuar ordenhando?
Pode sim, mas aí entra a parte da negociação.
Depois dos 6 meses, a empresa não é mais obrigada por lei a manter esses intervalos, mas isso não significa que você precisa abrir mão da ordenha.
Eu mesma passei por isso. Queria muito manter a amamentação exclusiva por mais um tempo e precisei me preparar para ter uma conversa madura e estratégica com minha liderança.
Essas foram as 3 atitudes que fizeram toda a diferença e que eu recomendo para você também:
1. Se prepare com informação:
Antes de conversar com meu gestor, eu juntei argumentos sólidos:
- Falei sobre os benefícios da amamentação prolongada, reconhecidos pela OMS.
- Mostrei que manter esse cuidado não afetaria minha produtividade.
- E deixei claro que era uma fase e não algo que ficaria para sempre.
Se você puder, leve uma recomendação da pediatra, isso ajuda a legitimar ainda mais o pedido.
2. Levei a solução junto com o pedido
Sabe aquele velho conselho de não levar só o problema? Ele vale muito aqui.
Eu pensei em alternativas:
- Sugeri horários que não prejudicassem minha entrega.
- Me comprometi a compensar o tempo, se necessário.
- Mostrei que já tinha um plano de como continuar sendo produtiva.
E isso fez com que a conversa fosse sobre colaboração e cuidado, não sobre concessão.
3. Fui clara, gentil e firme
Quando sentei para conversar, falei mais ou menos assim:
“Eu sei que a lei garante a ordenha só até os 6 meses. Mas a amamentação ainda é muito importante para mim e para minha bebê. Eu gostaria de conversar sobre como a gente pode adaptar isso de forma que funcione para todo mundo. Já pensei em algumas alternativas e me comprometo a manter minhas entregas. Posso te mostrar como pensei?”
Foi uma conversa respeitosa, sem cobrança, mas com clareza. E, para minha surpresa, a resposta foi positiva.
Você também pode!
Eu sei que dá medo e que no puerpério ainda estamos com a mente muito confusa. Ficamos com receio de parecer “menos profissional” ou “dar trabalho”.
Mas deixa eu te lembrar uma coisa muito importante: Você é uma mulher forte, capaz e absolutamente comprometida com sua família e com sua carreira.
Negociar esse tempo para a ordenha não diminui o seu profissionalismo. Pelo contrário, mostra maturidade e planejamento.
E se você quiser se aprofundar sobre como voltar a trabalhar e continuar amamentando seu bebê, dá uma olhada no meu curso, o De Volta, Com Leite
Se você está passando por isso agora, espero que esse texto te ajude a se sentir mais segura e acolhida. 💛 Passa lá no Insta @alessandra__bara e me conta!
Com carinho,
Alessandra Bara
A vida prática da mãe que trabalha fora

